Mastectomia: saiba quando é indicada a cirurgia de retirada das mamas

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer que mais acomete as mulheres brasileiras segundo dados divulgados pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer). Quando a paciente não pode ser tratada por meio de uma cirurgia conservadora da mama (lumpectomia), ou em casos de suspeita inicial de tumores malignos, a mastectomia é a cirurgia indicada pelos médicos como forma de tratamento e prevenção à doença.

A seguir, explicaremos com detalhes o que é a cirurgia de mastectomia, os tipos, em quais casos o procedimento é necessário, os principais cuidados pós-operatórios e também sobre a reconstrução mamária. Continue a leitura!

O que é a cirurgia de mastectomia?

O médico e cirurgião plástico Tiago Simão (CRM: 137.398) explica que a mastectomia é a cirurgia realizada para a retirada total ou parcial da mama. Na maioria das vezes, é recomendada para pacientes diagnosticadas com câncer de mama. “O médico deverá avaliar o tamanho e extensão do tumor para definir a melhor indicação cirúrgica. Se o tumor tiver uma pequena dimensão e não estiver comprometendo outros tecidos, é possível tentar uma cirurgia conservadora, onde se preserva a maior parte do tecido mamário e sua aparência. Caso contrário, faz-se necessária a mastectomia para remoção de todo tecido mamário em prol do tratamento”, afirma.

A mastectomia é indicada ainda em casos de “ginecomastia (volume anormal da mama masculina), como parte da cirurgia de redesignação sexual do homem transexual e também pode ser feita preventivamente em mulheres que possuem ambos os genes do câncer de mama (BRCA1 e BRCA2), o que representa um risco de mais de 80% de desenvolvimento da doença”, completa o médico ginecologista da Clínica Mais Excelência Médica, Marcelo Ponte (CRM: 141950).

Tipos de mastectomia

Os tipos de mastectomia se diferenciam por dois principais fatores: a forma como a cirurgia é realizada e a quantidade de tecido que é removida. Confira mais informações:

  • Mastectomia total ou simples: na mastectomia total são retiradas as glândulas mamárias por completo, aréola, mamilo e parte da pele da mama. Em alguns casos em que apresenta o risco de disseminação para os gânglios linfáticos, é necessária a realização de uma linfadenectomia regional.
  • Mastectomia dupla: “a mastectomia dupla é realizada em casos onde a mulher tem o risco de desenvolver o câncer de mama na outra mama, consistindo na retirada de ambas na mesma cirurgia. Diversos fatores podem levar a esse risco, e somente o médico poderá avaliar a necessidade de se fazer esse procedimento”, diz Simão.
  • Mastectomia preventiva: é indicada somente para mulheres com o risco muito elevado de desenvolver o câncer de mama, como aquelas que possuem histórico de doença na família ou que apresentam alterações genéticas que podem causar o câncer. Consiste na retirada da região interna da mama, ou seja, da glândula mamária juntamente com os ductos mamários, locais onde podem ocorrer a formação de um tumor.
  • Mastectomia poupadora de pele: caracteriza-se pela preservação de grande parte da pele da mama. É recomendado para as mulheres que consideram a reconstrução mamária imediata, usando-se de implantes ou tecidos do próprio corpo para a realização do procedimento. No entanto, não é uma cirurgia indicada para pacientes que possuem tumores maiores ou que estão próximos à superfície da pele.
  • Mastectomia poupadora de mamilo: procedimento seguido pela reconstrução mamária, indicado às mulheres que possuem um tumor pequeno, em estágio inicial e que não apresentam sinais da doença na parte externa da mama (pele ou próximo ao mamilo). Sendo assim, a cirurgia consiste na retirada do tecido mamário, porém com a preservação da pele da mama e do mamilo.
  • Mastectomia radical: a mama, os linfonodos axilares e os músculos peitorais que localizam-se sobre a mama são totalmente removidos neste procedimento. Como o próprio nome diz, é uma cirurgia radical indicada em casos de pacientes que possuem grandes tumores crescendo nos músculos peitorais e que apresentam risco de disseminação.
  • Mastectomia radical modificada: é a cirurgia que combina a mastectomia simples com a retirada dos linfonodos axilares, preservando-se um ou ambos os músculos peitorais.

Como visto até aqui, a mastectomia se divide em diferentes formas de cirurgia. Vale ressaltar a importância de consultar-se frequentemente com um médico ginecologista para avaliações preventivas e a verificação do procedimento indicado para cada caso. Lembre-se que quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de cura do câncer de mama.

Quando é indicada a mastectomia?

Tumores menores podem ser tratados a partir de técnicas mais conservadoras, como a quadrantectomia (remoção de apenas uma parte da mama). Já a mastectomia é recomendada dependendo da relação entre o tamanho do tumor e da mama, normalmente quando o tumor encontra-se localmente avançado e pode comprometer tanto a pele como o músculo. Saiba quais são as principais indicações:

  • Tumores grandes com diâmetro maior que 5 cm;
  • Tumores inflamatórios que envolvem os vasos linfáticos e acometem a pele;
  • Impossibilidade de preservação da glândula mamária devido a tumores multicêntricos (vários tumores na mesma mama);
  • Tumores com calcificações extensas;
  • Reaparecimento do tumor na mesma mama;
  • Quando a radioterapia e a cirurgia conservadora não são indicadas.

A mastectomia é também uma forma de cirurgia preventiva para mulheres com histórico familiar de câncer de mama e/ou mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Tais alterações podem ser detectadas por meio de um teste genético específico, feito a partir da análise de uma amostra de sangue.

Cuidados pós-operatório

Segundo Simão, a recuperação pós-cirúrgica da mastectomia é rápida, com 1 a 2 dias de internação dependendo do tipo do procedimento (bilateral ou unilateral). O uso do dreno se faz necessário durante os primeiros dias para a retirada da secreção e deve ser esvaziado conforme a orientação do médico. Confira os demais cuidados:

  • Ingerir a medicação corretamente (analgésicos ou anti-inflamatórios);
  • Não pegar peso, dirigir ou fazer exercícios até a liberação médica;
  • Entrar em contato imediato com o médico em caso de febre, dor intensa, vermelhidão ou inchaço no local da cirurgia ou no braço do lado operado;
  • Fisioterapia para auxiliar na movimentação dos braços, circulação e diminuição das contraturas causadas pela cicatrização.

Praticar a respiração profunda também ajuda no aumento da movimentação do tórax e relaxamento do corpo. A recomendação é respirar profundamente, segurar o ar por alguns segundos, soltá-lo e relaxar. Esse processo deve ser repetido 5 vezes.

Reconstrução mamária

A mastectomia é uma cirurgia que, muitas vezes, pode abalar a autoestima das mulheres que a realizam. Por isso, a reconstrução mamária é uma opção indicada para as pacientes que querem se sentir bem com o próprio corpo novamente.

Simão explica que, para a realização do procedimento, deve-se considerar a forma, a aparência e o tamanho da mama após a mastectomia. A reconstrução pode ser feita seguida da retirada da mama ou alguns meses depois, com a inserção de prótese de silicone, gordura corporal ou retalho muscular. “A data mais indicada depende do tipo de câncer e deve ser decidido com o cirurgião, mas, em muitos casos, pode ser necessário esperar algum tempo até a total cicatrização ou após a realização de exames para confirmar a remoção completa das células malignas” certifica.

No entanto, a reconstrução mamária é contraindicada em casos de pacientes com o câncer ainda ativo, ou quando apresenta metástase. “Outros fatores que podem impedir a realização da cirurgia é se a mulher não estiver dentro das condições clínicas exigidas, como por exemplo: apresentar problemas cardíacos mais graves, problemas renais ou problemas de saúde que possam colocar a paciente em risco durante o procedimento. Se a mesma for fumante, será necessário interromper o tabagismo, caso contrário a cirurgia não poderá ser realizada” completa o médico.

As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

Escrito por Andrea Sakugawa

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